domingo, 5 de setembro de 2010

DOE ORGÃOS EM VIDA

O Brasil está próximo de bater um recorde de órgãos doados transplantados, de acordo com relatório da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). A meta para 2010 é atingir uma taxa de 10 doadores com órgãos transplantados para cada milhão de habitantes e, só no primeiro trimestre, esse índice ficou em 10,2.

Em números absolutos, foram 485 doadores com órgãos transplantados entre janeiro e março de 2010, com uma projeção de 1.940 para o ano, contra 378 (8 por milhão) no mesmo período do ano passado e 1.658 (8,7 por milhão) no total de 2009.

O aumento do número de doadores no Estado de São Paulo é uma das razões para o crescimento da estatística de doações no Brasil, segundo nota emitida pela ABTO.
Entre janeiro e março de 2010, o Estado teve uma taxa de 22,6 doadores com órgãos transplantados por milhão da população (pmp), enquanto no mesmo período do ano passado a taxa foi de 15,4 doadores (161 em números absolutos) e, no total de 2009, 16,9 doadores pmp no Estado de São Paulo. Inclusive, São Paulo registra quase um transplante por hora e outras unidades da federação que se destacaram pelo aumento no número de doadores foram Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo e Paraíba.

Confira video da Campanha de Doação de Órgãos: Considerações sobre o tempo




Mas, o que ainda faz com que o número de órgãos e de doadores seja insuficiente?

A resistência familiar é um entrave. O potencial doador tem que ter morte cerebral que ocorre como conseqüência de acidentes graves. A família fica tão perplexa diante da tragédia, que racionalmente não consegue analisar o fato com a frieza necessária para decidir e optar pela doação.

Um problema que pode impedir a doação é o paciente sofrer uma parada cardíaca durante a cirurgia, o que inviabiliza a retirada de alguns órgãos para doação. Além disso; resultados de sorologia positiva para HIV e outras doenças infecciosas, também tornam os órgãos inviáveis para o transplante.

Quanto à medula óssea, um acontecimento que vem favorecer a localização de um doador compatível; é a participação do Brasil na maior rede de registros de doadores de medula óssea do mundo; a americana National Marrow Donor Program (NMDP). Isso aumenta consideravelmente as chances de quem está à espera de um doador compatível. Só ela agrega 7 milhões de americanos cadastrados e mais 3 milhões de pessoas de outros países. O banco brasileiro tem 800 mil.

O nosso banco de dados também passa a fazer parte, porque agora a qualidade dos nossos registros e do sistema de busca, coleta e armazenamento foram reconhecidos. Essa parceria legitima internacionalmente a excelência do sistema brasileiro. O próximo país a participar deve ser a Alemanha.

Isso amplia a possibilidade de pacientes brasileiros encontrarem um doador compatível fora do país, com um custo muito menor, já que cerca de 45% deles já recorrem a bancos estrangeiros.

Os custos são altos e o SUS financia a identificação internacional de doadores, que chega a custar R$ 50 mil. Com essa troca entre banco de dados; o que for arrecadado com o envio de células-tronco de doadores brasileiros para outros países, será utilizado nos gastos para a busca internacional de doadores.

Quem faz essa busca é o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME).

Outra informação animadora é a de que São Paulo zerou a fila de transplantes de córnea na capital. A tendência é de que esse fato ocorra em outras capitais e quem sabe no país inteiro.

Uma medida polêmica, decidida pelo Ministério da Saúde, pode beneficiar pessoas que estão na fila à espera de um transplante. São os órgãos "limítrofes", aqueles que não estão em condições ideais para transplante, mas que no caso de extrema necessidade podem ter certa eficácia. Esses órgãos "limítrofes" são aqueles que viriam de doadores com doenças infecciosas, como a hepatite B,C, doença de Chagas, etc. O sistema será semelhante ao existente em São Paulo, onde pacientes e médicos decidem sobre o uso de órgãos não ideais antes do cadastro na fila.

O receptor teria que consentir. As entidades que representam os interesses dos pacientes estão preocupadas com essa medida. A receptora recebe o órgão, que tanto necessita, mas também pode receber a doença que o doador possuía. A questão é avaliar se o risco compensa. Nessa hora, o médico junto com o paciente tem que ponderar os prós e contras e tomar a decisão.

Esses órgãos serão oferecidos ao primeiro da fila, que se não aceitar será oferecido ao próximo e assim por diante. Certamente é mais uma opção, mas a polêmica vai gerar debates que podem trazer esclarecimentos e uma abordagem segura para esse procedimento, sendo mais uma esperança para aqueles que já não tem nenhuma.

Confira video da Santa Casa: Campanha de doação de Orgãos




Não existem grandes obstáculos à doação de órgãos no Brasil, visto que todo o processo está regulamentado. A melhor forma de um indivíduo se tornar doador após a morte é avisar os familiares, manifestando, em vida, este desejo. Quando isto ocorre, a família sempre concorda com a doação para satisfazer o "último desejo" deste indivíduo. Embora 60% da população concorde com a doação de órgãos, os profissionais de saúde de terapia intensiva e setores de emergência notificam apenas um em cada oito potenciais doadores. Desta forma, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos realiza uma campanha em que todos os profissionais de saúde receberam, através do Jornal do Conselho Federal de Medicina, a orientação logística e legal sobre o processo de doação. Com esta medida, e contando com a participação destes profissionais, o número de transplantes deve ser acelerado, e o Brasil poderá se manter como centro de destaque mundial na área de transplantes de órgãos.

Se você gostou dessa postagem, leia também:

18/08/10 - Turismo de saúde no Brasil e em São Paulo
15/07/10 - A AIDS e as novas perspectivas mundiais


Fonte: www.adote.org.br/
www.ajudabrasil.com.br/6.476.html
www.estadao.com.br/.../vidae,doacao-de-orgaos-no-brasil-deve-bater-recorde-em-2010-diz-relatorio,553883,0.htm

3 comentários:

  1. Os transplantes de medula óssea cresceram 57,51% nos últimos sete anos. Seja um doador voluntário e faça esse número aumentar. Saiba como ser um doador de medula. É simples, rápido e não dói.

    Para mais informações: comunicacao@saude.gov.br ou http://www.formspring.me/minsaude

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  2. Olá blogueiro,
    Quer ser doador de órgãos, mas não sabe o que é preciso fazer para garantir que a sua vontade seja respeitada? O que diz a Lei brasileira de transplante atualmente? Saiba isso e muito mais fazendo as suas perguntas diretamente para o Ministério da Saúde, através do http://www.formspring.me/minsaude.
    Participe!

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  3. Vejo que vc gosta de escrever sobre assuntos atuais e polemicos, entao gostaria de te convidar para um Movimento. Sobre as eleções.

    É só fazer uma postagem sobre o tema. Tem mais infos no gramaazul.blogspot.com

    Seria otimo contar com a sua participação. Abç.

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