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quinta-feira, 23 de maio de 2013

18ª PARADA GAY DE SP, PALANQUE OU CARNAVAL?

Neste domingo, 04 de MAIO, ocorre a 17ª Edição da PARADA GAY em São Paulo, evento que no inicio pretendia ser um palanque das reivindicações dos homossexuais, mas, entretanto, no decorrer das edições e o seu sucesso de público, passou a ser um grande carnaval.

Este ano com a participação de trios elétricos milhares de pessoas vão às ruas protestarem contra a homofobia, mas este é apenas um pretexto para a folia e todos os atos de imoralidade que vem ocorrendo em todas as edições.

Centenas de homossexuais seminus exibindo seus corpos (e muitas vezes suas partes intimas), travestis quase despidas, homens beijando outros homens, mulheres outras mulheres, e no final do desfile quando já é noite na Praça Roosevelt alguns chegam até a praticar sexo no meio da multidão. Enfim, sem querer ser falso moralista, que não sou realmente, não gosto e não aprovo este tipo de evento popular, pois acho um desrespeito ao público presente, uma grande maioria de crianças, que são obrigadas a presenciar estes comportamentos degradantes por parte de alguns participantes. Não são todos, é bem verdade, alguns até comparecem com o intuito de reivindicar seus direitos, que realmente não existe no Brasil, como: parceria civil (aprovada recentemente pelo STF, porém não pelo Congresso, embora tramite Projeto de Lei há mais de uma década), preconceito e homofobia, mas ficam perdidos na multidão de devassos que estão apenas na folia, pouco preocupados com a sua pseudo-luta. Eu acho que o homossexual como todo brasileiro tem o direito de uma completa cidadania, pois atualmente são cidadãos de segunda categoria no Brasil, com seus direitos mais básicos cerceados, ao contrário de muitos países do Primeiro Mundo (que realmente não é o nosso caso), porém o respeito ao público é fundamental e as suas intimidades, como as de quaisquer heterossexuais, podem e devem ser feitas entre quatro paredes ou ambientes públicos apropriados e privados, não como a parada, que tem um público familiar tão imenso e presente.

Também sou contra o evento na Avenida Paulista impedindo o transito de veículos, por ser uma das principais vias da cidade. Acho que esse tipo de “carnaval gay” poderia ser transferido para outro local que não acarretasse tantos transtornos para a população, que além de ser obrigada a assistir tanta obscenidade, ainda é prejudicada na sua locomoção e passeio de fim de semana.

Confira vídeo do Deputado Homofóbico Bolsonaro falando sobre a União Estável (casamento gay)

Não é preciso ser diferente para ser gay, por Alexandre Vidal Porto, Mestre em Direito pela Universidade de Harvard (EUA)

Os homossexuais podem se tornar invisíveis. É só saberem dissimular ou mentir. Quando a primeira parada gay de São Paulo surgiu, um de seus objetivos era, justamente dar visibilidade à parcela da comunidade GLBT que queria afirmar a sua existência e entabular um diálogo com a sociedade.

O viés era político. O slogam da Parada, "Somos muitos e estamos em todas as profissões", equivalia a uma apresentação. Os manifestantes queriam mostrar quem eram e o que faziam. Reclamavam participação no processo jurídico-social e pediam proteção contra o preconceito e a discriminação. Eram 2.000 pessoas, e o ano era 1997.

Desde a sua primeira edição, no entanto, o aspecto politíco do evento foi cedendo espaço ao carnavalesco. A Parada Gay de São Paulo transformou-se em uma grande festa. A maior de seu gênero no mundo. Atrai número de pessoas equivalentes à população do Uruguai. Movimenta centena de milhões de reais. A expectativa é de que traga mais de 400 mil turistas à cidade.

Explica-se o fenômeno da carnavalização da Parada com o argumento de que os gays são "divertidos". A utilização desse estereótipo, contudo, contribui para mascarar a irresponsabilidade cívica e a alienação politíca de parte da comunidade GLBT.

Carnavalizar é fácil e agradável, mas é contraproducente.

O estilo exagerado que alguns participantes preferem adotar é legítimo e respeitável. Mas presta um desserviço para os avanços dos direitos à igualdade. O caráter festivo e a irreverência tiveram valor simbólico em um tempo em que a rejeição social contra a homossexualidade era incontornável. Acontece que as coisas mudaram.

Os milhões de pessoas que comparecerão ao evento na Avenida Paulista deveriam ter responsabilidade cívica de conquistar corações e mentes para a sua causa. O aspecto politíco da Parada exige certa sobriedade, ao menos em respeito às vítimas cotidianas da homofobia, no Brasil e no mundo. Hoje, o peso do discurso politíco tem de ser maior que a vontade de dançar.

A aceitação a homossexualidade pela opinião pública está vinculada à convivência com as pessoas abertamente gays. Mostrar-se é importante. Nessa batalha, é mais estratégico exibir a semelhança. É mais difícil para o mundo identificar-se com o ultrajante.

Não se trata de exibir a orientação sexual, mas de garantir o direito pleno à liberdade de exercê-la.

Associar o conceito da homossexualidade à transgressão e ao excesso pode ter valor estético, mas tem efeito negativo sobre o rítmo do processo politíco.

Confira vídeo com a reportagem do STF aprovando o casamento gay

Para gente que cresceu com uma escala de valores antagônica aos direitos humanos dos GLBT, o comportamento escandaloso exibido tradicionalmente nas paradas equivale à retórica raivosa de um Jair Bolsonaro. O papel da Parada é mostrar que os homossexuais são seres humanos comuns, que tem direito a proteção e respeito, como qualquer outro cidadão.

Ninguém precisa ser diferente para ser gay. Não é necessário transformar-se na caricatura de sí mesmo.

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11/05/11 – STF aprova União Estável Homossexual
20/01/11 – Transexualismo, o que é?
08/12/10 – Homofobia, até quando?
21/10/10 – A família brasileira e a homossexualidade
19/08/10 – Silas Malafaia, mais um falso profeta
28/07/10 – Prostituição Masculina
15/07/10 – A AIDS e as novas perspectivas mundiais

quinta-feira, 8 de março de 2012

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Pela primeira vez na história o Brasil tem muitas conquistas femininas a comemorar: Na Presidência da República uma mulher com a estirpe, o caráter e a dignidade da presidente Dilma Roussef (foto principal) e, no seu governo, mais dez ministras mulheres. No Senado Federal a vice-presidência da Marta Suplicy, na Câmara Federal a vice-presidente Rose de Freitas, na PETROBRAS a primeira presidente, a Graça Foster e, para culminar, a primeira mulher a presidir o TSE em 67 anos da corte, a Ministra Carmen Lucia.

Negras, brancas ou amarelas. Católicas, judias ou mulçumanas. Jovens ou idosas. Não importa. O 8 de Março, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, simboliza o universo feminino no mundo. E já não se pode mais negar que as conquistas femininas avançaram muito nos últimos anos. As mulheres ao longo do século XX marcaram, de maneira definitiva, os seus rumos para este novo milênio.


Diversos fatores contribuiram para essa realidade. As mudanças nas taxas de fecundidade, nos níveis educacionais e da sua participação no mercado de trabalho sintetizam o novo papel da mulher na sociedade. "As mulheres que vieram depois de 1945 passaram por um "boom" de transformações. A começar pela bomba atômica, pelo pós-guerra. Depois veio a pílula, o movimento feminista, a educação sem limites para os filhos, as drogas, a produção independente, hormônios. O processo de inserção feminino no mercado de trabalho também foi intenso e nada igualitário. Tudo isso nesta minha geração. Passamos por tudo", conta Helena Hoerlle. Aos 87 anos, a socióloga alemã naturalizada brasileira, juntamente com outras milhares de mulheres, sentiu na pele as mudanças que alteraram a situação feminina no mundo.

Quase 150 anos separam o data de hoje do dia em que 129 operárias morreram em uma greve nos EUA, quando a história do Dia Internacional da Mulher teve seu começo. Foi em 8 de março de 1857, que patrões e policiais colocaram fogo na fábrica têxtil onde as mulheres estavam trancadas, após protestarem contra a jornada de trabalho de 16 horas e por melhores salários. No entanto, as primeiras articulações de um movimento feminista começaram logo após a Revolução Francesa. Os principais objetivos eram o direito ao voto e à educação. No Brasil, até 1879, as mulheres eram proibidas de freqüentar cursos de nível superior e, durante boa parte do século 19, só poderiam ter educação fundamental. Mesmo com a legislação que permitia a instrução feminina, as mulheres tinham o acesso dificultado.

Substancialmente, o panorama atual é bastante diferente daquelas décadas atrás. As recentes discussões acerca dos novos papéis da mulher e do homem na sociedade não só representam um enorme passo para a conquista feminina como também abrem espaço para novas configurações de identidades. Com o novo papel da mulher da sociedade, muda também a estrutura familiar. Hoje, as mulheres aumentaram sua participação no mercado de trabalho, acumularam mais anos de estudos, não dependem financeiramente do marido e adiam casamento e filhos.

E mais: estudiosos e consultores são praticamente unânimes em dizer que o mundo corporativo caminha para valores tidos como mais femininos: importância do relacionamento, trabalho em equipe, uso de motivação e persuasão em vez de ordem e controle, cooperação no lugar de competição. E toda essa teoria parece estar de acordo com as estatísticas sobre o avanço profissional das mulheres, aqui e no mundo todo.

Os números demonstram, por exemplo, que no caso de donos de empresas, as mulheres representam 17% dos empregadores brasileiros em 1991 e passaram a 22,4 % em 1998, segundo a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), feita pelo IBGE. Hoje esse índice pulou para quase 29%. Os avanços são também incontestáveis nos cargos gerenciais e nas profissões liberais, como medicina, direito, arquitetura – com até 300% de aumento, na participação feminina em uma década. As mulheres já são 40% da força de trabalho no país e 24% dos gerentes.

Confira vídeo de Matéria feita para o telejornal TERENEWS, da TERETV CANAL 11, Teresópolis, sobre a História do Dia Internacional da Mulher.




Não há a menor dúvida de que o século que acabou foi o de maior avanço das mulheres em toda a História da humanidade. Elas estão conquistando espaço no mundo inteiro, em praticamente todas as atividades. No Brasil, 20 milhões de mulheres entraram na população economicamente ativa em duas décadas. Todo esse avanço dá a impressão de que o futuro é cor-de-rosa. Porém, por mais que as mulheres tenham entrado de vez no mercado de trabalho e estejam se dando muito bem o preconceito e violência ainda persistem e elas recebem uma remuneração em média cerca de 30% menor do que os homens, conforme a Síntese dos Indicadores Sociais, divulgada em março de 2007, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Além de serem responsáveis pela maternidade, e pela ordem da casa, atualmente no Brasil, a maioria das famílias são chefiadas por mulheres, que lutam diariamente, dentro e fora de casa. A sociedade, o Governo, as instituições, ONGs articulam-se para que as conquistas femininas não fiquem apenas no papel, mas que aconteçam de fato como mais uma forma de igualdade e respeito social.

A LIBERAÇÃO SEXUAL:

Nos anos 50, o feminismo ganhou um novo aspecto: a construção da identidade feminina e a liberação sexual. Em 1949, a escritora Simone de Beauvoir publicou O Segundo Sexo, que demolia o mito da "natureza feminina" e negava a existência de um "destino biológico feminino". O livro causou impacto imediato e provocou críticas não só dos conservadores - devido principalmente aos capítulos dedicados à sexualidade feminina -, mas também da esquerda.



Um novo impulso chegou nos anos 60, com a criação da pílula anticoncepcional. A revolução sexual acompanhava outros acontecimentos da época, como a guerra do Vietnã e a ascensão do movimento estudantil. Com a chegada da pílula, um dos pretextos para a repressão sexual feminina, a gravidez indesejada, não tinha mais porque existir. Depois de cerca de 40 anos de existência, a pílula é usada por cem milhões de mulheres em todo o mundo.

Outro sinal dos tempos viria em 1964, quando a inglesa Mary Quant escandalizou com uma saia dois palmos acima do joelho. O pedaço de pano de trinta centímetros rapidamente conquistou mulheres de todo o mundo. Em 1971, preenchendo a longa lista de tabus quebrados, a brasileira Leila Diniz apareceu de biquíni em uma praia carioca, exibindo a enorme barriga da gravidez.

O direito a escolher os próprios governantes mobilizou mulheres de todo o mundo durante boa parte da primeira metade do século 20. No Brasil, essa conquista aconteceu em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas. A Nova Zelândia foi o primeiro país a permitir o voto feminino, em 1893. Na França, apesar de "igualdade" estar entre os lemas da Revolução Francesa, a mulher só conseguiu votar a partir de 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial.


Confira vídeo do médico ginecologista do Hospital Samaritano, Dr. Nicolau D'Amico, que discorre sobre a saúde da mulher. Saiba mais sobre os principais exames que a mulher deve fazer ao longo da vida.





CRONOLOGIA DO CALENDÁRIO FEMININO:

1827 - Surgiu a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo que freqüentassem as escolas elementares. Instituições de ensino mais adiantado ainda eram proibidas a elas. 1879 - As mulheres têm autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior; mas as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade.

1914 – A primeira jornalista de que se tem notícia Eugênia Moreira escreve artigos em jornais afirmando que "a mulher será livre somente no dia em que passar a escolher seus representantes”;

1919 - É construído o primeiro monumento a uma mulher. Tratava-se de um busto, uma homenagem à Clarisse Índio do Brasil, que morreu vítima de violência urbana, no Rio de Janeiro;

1928 - As mulheres conquistam o direito de disputar oficialmente as provas olímpicas.

1932 - O Governo de Getúlio Vargas promulgou o novo Código Eleitoral pelo Decreto nº 21.076, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras;

1948 - A holandesa Fanny Blankers-Keon, 30 anos, mãe de duas crianças, consagrou-se a grande heroína individual das Olimpíadas, superando todos os homens. Conquistou quatro medalhas de ouro no atletismo;

1962 - O presidente João Goulart sanciona a Lei n° 4.121 que ampliou os direitos da mulher casada no Brasil;



1974 - Izabel Perón torna-se a primeira mulher presidente;

1977 - A escritora Rachel de Queiroz torna-se a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras;

1985 - Surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher - DEAM, em São Paulo;

1994 - Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro: o Maranhão. Foi reeleita em 1998.

1997 - As mulheres já ocupam 7% das cadeiras da Câmara dos Deputados; 7,4% do Senado Federal; 6% das prefeituras brasileiras. O índice de vereadoras eleitas aumentou de 5,5%, em 92, para 12%, em 96.

2006 - A aprovação da Lei Maria da Penha (lei número 11.340) que trata de forma diferenciada a questão da violência doméstica e sexual da mulher.

2011 – Assume a presidência do Brasil Dilma Roussef, na companhia de nove ministras mulheres (atualmente são dez).

2012 A ministra Carmen Lucia é a primeira mulher a presidir o TSE, em 67 anos de história da Corte.


Fontes: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/pwdtcomemorativas/default.php?reg=2&p_secao=59

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

MAUS-TRATOS CONTRA ANIMAIS, O QUE FAZER ?

Comenta-se que o número de denúncias de maus-tratos a animais cresceu muito ultimamente, o que nos leva a imaginar que antes das redes sociais, o número de casos eram infinitamente maiores – só não eram denunciados por falta de oportunidade, receio e de respaldo. E ainda hoje, apesar de toda essa repercussão também na TV, estamos desorientados e sem saber a quem recorrer.

Casos recentemente divulgados, como o da yorkshire espancada até a morte pela tutora (foto 1), em GO, e do rottweiller Lobo, amarrado e arrastado pelo tutor em 04 de novembro e que não resistiu aos ferimentos, impulsionaram defensores de animais a clamarem por justiça.

Outro casos que também ganharam repercussão, o do cachorrinho Titã, enterrado vivo (foto 2), a cadelinha Laica que foi violentamente espancada com um pedaço de pau pelo tutor e teve parte da mandíbula triturada por conta de ter mordido o seu celular.

último caso repercutido foi o do cão que ganhou o nome de George, arrastado por um quilômetro pelo tutor na cidade de Guarulhos. O animal foi socorrido e está sendo tratado pelo coronel Antonio de Mello Belucci, do 31º Batalhão, que já socorreu e cuidou de mais de 20 cães vítimas de maus tratos e atualmente abriga oito cachorros em um canil improvisado no próprio batalhão.

Depois de todas essas tristes notícias, o secretário de meio ambiente do Governo do Estado de São Paulo, Bruno Covas, quando questionado se a Polícia Ambiental poderia ser acionada para atender flagrantes de maus-tratos a animais, respondeu em seu twitter que sim e que também o 190 poderia ser acionado, segundo sua consulta direta ao tenente-coronel Milton Nomura, comandante da Polícia Militar Ambiental.

Ameaças e abandonos também são considerados maus-tratos e não é necessário recorrer a uma Ong para denunciar qualquer ato contra animais. A autoridade policial está obrigada a proceder a investigação de fatos que, em tese, configuram crime ambiental.

As denúncias de maus-tratos são anônimas e todo indivíduo tem o direito e o dever de relatar um crime presenciado contra um animal em qualquer delegacia de polícia que registrará a ocorrência, instaurando inquérito. Caso testemunhe situação de flagrante ou de emergência, basta ligar para 190 (Policia Militar), identificar-se e solicitar uma viatura, reforce que trata-se de um crime ambiental de infração da Lei Federal nº 9.605/98, artigo 32.

Caso haja recusa do delegado, cite o artigo 319 do Código Penal, que prevê crime de prevaricação: receber notícia de crime e recusar-se a cumpri-la.

Se houver demora ou omissão, entre em contato com o Ministério Público Estadual – Procuradoria de Meio Ambiente e Minorias pelo telefone (11) 3119-9000 ou envie uma carta registrada descrevendo a situação do animal, o Distrito Policial e o nome do delegado que o atendeu. Você também pode enviar fax ou ir pessoalmente ao MP e não é necessário ter advogado.

Caso a Polícia Ambiental se recuse a atender a ocorrência, a denúncia deve ser feita a Secretaria da Casa Civil, Corregedoria Geral de Administração, Setorial Meio Ambiente: (11) 3133-3904.


Confira video do CONEXÃO REPÓRTER DO SBT – Animais em perigo (Parte 1)





MAUS-TRATOS CONTRA ANIMAIS, COMO TEMA JURÍDICO:

Um dos temas jurídicos que tem tomado vulto e importantes debates entre os estudiosos do direito no Brasil, é o que diz respeito a legalidade ou não dos eventos populares como rodeios, vaquejadas ou outras festas populares que utilizam animais para o entretenimento do público, assim como o abandono de animais de estimação como cães e gatos.

Além de se constituírem em eventos com características sociais altamente enraizados em várias regiões do Brasil, têm eles reflexos econômicos pois como se sabe atraem milhares de pessoas envolvendo grandes somas de dinheiro, o que dificulta colocações humanitárias e jurídicas sobre a temática. Entretanto, ante a evolução dos conhecimentos científicos sabemos que os animais são seres que possuem características semelhantes aos humanos e estão sujeitos a sensações muito parecidas, o que nos deve tornar mais sensíveis no trato com eles, criando assim leis de proteção.

Animais como o cavalo e o camelo permitiram a expansão de nações, ajudando o homem no deslocamento a grandes distâncias, além de auxiliar nos trabalhos de campo, aliás como acontece ainda hoje em inúmeras regiões. A domesticação de bovinos, caprinos, de aves como a galinha, o peru e o pato, por exemplo, permite ao homem ter perto de si um estoque alimentar fundamental para a sua sobrevivência. Os cães domesticados, por sua vez, passaram a ser grandes colaboradores, tanto como auxiliares de guarda como no pastoreio. Em muitas regiões do globo são usados os mais variados animais como os falcões na caça e os mergulhões na pesca, sem contar a grande importância do camelo e do elefante, este último na África e na Índia, como meio de transporte e mesmo como auxiliares no trabalho. Na medicina os animais têm também primordial importância pois auxiliam ao homem em suas experiências científicas.


Confira video do CONEXÃO REPÓRTER DO SBT – Animais em perigo (Parte 2)




O homem sempre utilizou os animais, dependendo deles para a sua sobrevivência, o que os tornam importantíssimos colaboradores; porém, nem sempre os tratou bem, impingindo-lhes muitas vezes enormes sacrifícios e atrozes crueldades, pois basta lembrar que os eqüinos, um dos nossos principais colaboradores, são utilizados até os limites de suas forças e depois mortos muitas vezes insensivelmente e de forma violenta e cruel. Os bovinos, os suínos, patos e frangos vêm sendo sacrificados em muitos matadores com requintes de crueldade.

Porém, nas últimas décadas, principalmente, a humanidade tem se sensibilizado contra as ações de maus-tratos e crueldade contra animais, tanto que em diversas partes do mundo procura encontrar regras mais "humanas" de abate, bem como de proibição de atos que impinjam a eles desnecessários sofrimentos. Inclusive muitos esportes que utilizam animais como a "briga de galo" e a "briga de canários", que se constituem verdadeiros costumes culturais enraizados em certas regiões do país, estão sendo combatidos. Devemos lembrar ainda crescente mobilização popular contra certos costumes como a tourada na Espanha e México e a "farra do boi" no sul do Brasil, existindo já várias associações de defesa dos animais.

Assim, consolidou-se em muitos segmentos da sociedade o entendimento de que os animais devem ser realmente protegidos contra maus-tratos e crueldade, surgindo movimento, campanhas e até ações judiciais neste sentido.

Em muitos países já existem leis protetivas aos animais, no sentido de evitar maltratá-los. A Declaração Universal dos Direitos dos Animais, da UNESCO, celebrada na Bélgica em 1978, e subscrito pelo Brasil, elenca entre os direitos dos animais o de "não ser humilhado para simples diversão ou ganhos comerciais", bem como "não ser submetido a sofrimentos físicos ou comportamentos antinaturais". O art. 14 da Carta da Terra criada na RIO+5 que diz que devemos tratar todas as criaturas decentemente e protegê-las da crueldade, sofrimento e matança desnecessária.

Em nossa legislação atual maltratar animais, quer sejam eles, domésticos ou selvagens, caracteriza-se crime ecológico, conforme art.32 da Lei 9.605, de 13.02.98, com detenção de três meses a um ano, e multa, para quem praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Ou seja, maltratar animais é crime. Já o Dec.Fed. 24.645/34, que ainda está em vigor quanto ao que se pode considerar maltratar, elenca nos artigos 3º ao 8º os atos assim considerados. Existe ainda legislação específica que disciplina a utilização de animais em experiências científicas.

Ante o exposto, podemos concluir que por provocar lesões físicas e estresse desnecessário aos animais contendores, constituem-se crimes a "briga de galo", a "briga de pássaros", a "farra do boi", "a briga de cães", bem como em se exigindo trabalho excessivo ou maltratar animais em circo, em rodeios, vaquejadas entre outros. Aliás, quanto a estas três últimas modalidades citadas há grande discussão se a utilização dos instrumentos para "incentivar" o animal caracteriza maus-tratos.

Também constitui-se crime previsto na legislação citada, abandonar animal de estimação infringindo-lhe fome e desabrigo, já que dependem do seu dono para sobreviver. Quanto aos animais silvestres não estão fora da proteção legal, de modo que ações cruéis contra eles também se constituem crime.

Portanto, o tratamento cruel ao animais, quaisquer que sejam eles, além de demonstrar um alto grau de insensibilidade do ser humano é crime. Apesar de estarmos às portas do século XXI, ainda tratamos com crueldade e sem a menor consideração os nossos maiores colaboradores, que são os animais, mostrando quão somos ingratos.


Confira video do CONEXÃO REPÓRTER DO SBT – Animais em perigo (Parte 3)




QUANDO VER OU SOUBER DE MAUS-TRATOS CONTRA ANIMAIS, DENUNCIE IMEDIATAMENTE:

Qualquer ato de maus-tratos envolvendo um animal deverá ser denunciado na Delegacia de Polícia. Aconselhamos que os casos de flagrante de maus-tratos e/ou que a vida de animais estejam em risco, acione a Polícia pelo 190 e aguarde no local até que a situação esteja regularizada. A Lei 9605/98 (Lei de Crimes Ambientais) prevê os maus-tratos como crime de comina as penas. O decreto 24645/34 (Decreto de Getúlio Vargas) determina quais atitudes podem ser consideradas como maus-tratos.

Sempre denuncie os maus tratos. Essa é a melhor maneira de combater os crimes contra animais. Quem presencia o ato é quem deve denunciar. Deve haver testemunha, fotos e tudo que puder comprovar o alegado. Não tenha medo. Denunciar é um ato de cidadania. Ameaça de envenenamentos, bem como envenenamentos de animais, também podem e devem ser denunciados.


Exemplos de Maus-Tratos

- Abandonar, espancar, golpear, mutilar e envenenar;
- Manter preso permanentemente em correntes;
- Manter em locais pequenos e anti-higiênico;
- Não abrigar do sol, da chuva e do frio;
- Deixar sem ventilação ou luz solar;
- Não dar água e comida diariamente;
- Negar assistência veterinária ao animal doente ou ferido;
- Obrigar a trabalho excessivo ou superior a sua força;
- Capturar animais silvestres;
- Utilizar animal em shows que possam lhe causar pânico ou estresse;
- Promover violência como rinhas de galo, farra-do-boi etc..

Outros exemplos estão descritos no Decreto Lei 24.645/1934, de Getúlio Vargas

Lei Federal 9.605/98 - dos Crimes Ambientais, Art. 32ºPraticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena: detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.


COMO DENUNCIAR:

01) Certifique-se que a denúncia é verdadeira. Falsa denúncia é crime conforme artigo 340 do Código Penal Brasileiro.

02) Tendo certeza que a denúncia procede, tente enquadrar o “crime” em uma das leis de crimes ambientais.

03) Neste momento, você pode elaborar uma carta explicando a infração ao próprio infrator e dando um prazo para que a situação seja regularizada. Se for situação flagrante ou emergência chame o 190.

O que deve conter a carta:
- A data e o local do fato
- Relato do que você presenciou
- O nº da lei e o inciso que descreva a infração
- Prazo para que seja providenciada a mudança no tratamento do animal, sob pena de você ir à delegacia para denunciar a pessoa responsável

Ao discar para o 190 diga exatamente: - Meu nome é “XXXXX” e eu preciso de uma viatura no endereço “XXXXX” porque está ocorrendo um crime neste exato momento.

Provavelmente você será questionado sobre detalhes do crime, diga: - Trata-se de um crime ambiental, pois “um(a) senhor(a)” está infringindo a lei “XXXXX” e é necessária a presença de uma viatura com urgência.

05) Sua próxima preocupação é com a preservação das provas e envolvidos. Se possível não seja notado até a chegada da polícia, pois um flagrante tem muito mais validade perante processos judiciais.

06) Ao chegar a viatura, apresente-se com calma e muita educação. Lembre-se: O Policial está acostumado a lidar com crimes muito graves e não deve estar familiarizado sobre as leis ambientais e de crimes contra animais.

07) Neste momento você deverá esclarecer ao policial como ficou sabendo dos fatos (denúncia anônima ou não), citar qual lei o(a) senhor(a) está infringindo e entregar uma cópia da lei ao policial.

08) Após isso, seu papel é atuar junto ao policial e conduzir todos à delegacia mais próxima para a elaboração do TC (Termo Circunstanciado).

09) Ao chegar à delegacia apresente-se calma e educadamente ao Delegado. Lembre-se: O Delegado de Polícia está acostumado a lidar com crimes muito graves e não deve estar familiarizado sobre as leis ambientais e de crimes contra animais.

10) Conte detalhadamente tudo o que aconteceu, como ficou sabendo, o que você averiguou pessoalmente, a chegada da viatura e o desenrolar dos fatos até aquele momento. Cite a(s) lei(s) infringida(s) e entregue uma cópia ao Delegado (Isso é muito importante).

11) No caso de animais mortos ou provas materiais é necessário encaminhar para algum Hospital Veterinário ou Instituto Responsável e solicitar laudo técnico sobre a causa da morte, por exemplo. Peça isso ao Delegado durante a elaboração do TC.

12) Todo esse procedimento pode levar horas na delegacia. Mas é o primeiro passo para a aplicação das leis e depende exclusivamente da sociedade. Depende de nós!

13) Nuca esqueça de andar com cópias das leis (imprima várias cópias). Consulte nesta postagem os diversos casos.

14) Siga exatamente esse roteiro ao chamar uma viatura e tenha certeza que o assunto será devidamente encaminhado.

15) Se a Polícia não atender ao chamado, ligue para a Corregedoria da Polícia Civil e informe o que os policiais disseram quando se negaram a atender. Mencione a Lei 9605/98


LEMBRE-SE:

01) Fotografe e/ou filme os animais vítimas de maus-tratos. Provas e documentos são fundamentais para combater transgressões.

02) Obtenha o maior número de informações possíveis para identificar o agressor: nome completo, profissão, endereço residencial ou do trabalho.

03) Em caso de atropelamento ou abandono, anote a placa do carro para identificação no Detran.

04) Peça sempre cópia ou número do TC e acompanhe o processo.

05) É extremamente importante processar o infrator, para que ele passe a ter maus antecedentes junto à Justiça.

06) Não tenha medo de denunciar. Você figura apenas como testemunha do caso. Quem denuncia, na prática, é o Estado.

CONTATOS:

- IBAMA - Linha Verde: 0800 61 80 80
- Disque Meio Ambiente: 0800 11 35 60
- Corpo de Bombeiro: 193
- Polícia Militar: 190
- Ministério da Justiça: www.mj.gov.br


São Paulo

- Disque-Denúncia 181 (ligação gratuita disponível para moradores da Grande São Paulo)

- Ministério Público - SP www.mp.sp.gov.br / comunicacao@mp.sp.gov.br / meioamb@mp.sp.gov.br
(11) 3119-9015 / 9016 / R. Riachuelo, 115 - Centro - SP

- Promotoria de Justiça do Meio Ambiente (11) 3119-9102 / 9103 / 9800

- Corregedoria da Polícia Civil (11) 3258-4711 / 3231-5536 / 3231-1775 / R. da Consolação, 2.333 - Centro - SP

- Corregedoria da Polícia Militar: 0800 770 6190

- Secretaria de Segurança Pública: www.ssp.sp.gov.br

- Polícia Militar Ambiental: www.polmil.sp.gov.br

- PMSP - Comando de Policiamento Ambiental - Efetivo: 2244
(11) 5082-3330 / 5008-2396 / 2397-2374

- Delegacia do Meio Ambiente: (11) 3214-6553

- Ouvidoria da Polícia: 0800-177070 / www.ouvidoria-policia.sp.gov.br

- Prefeitura de São Paulo: http://sac.prodam.sp.gov.br

- Superintendência do Ibama: (11) 3066-2633 / (11) 3066-2675

- Ouvidoria Geral do Ibama:
(11) 3066-2638 / 3066-2638 / (11) 3066-2635 / lverde.sp@ibama.gov.br


Distrito Federal
- ProAnima: (61) 3032-3583
- Delegacia do Meio Ambiente da Polícia Civil: (61) 3234-5481
- Gerência de Apreensão de Animais: (61) 3301-4952
- Ministério Público: (61) 3343-9416


Rio de Janeiro
- Ministério Público: (21) 2261-9954


Fontes:
http://jus.com.br/revista/texto/1718/maus-tratos-e-crueldade-contra-animais-aspectos-juridicos

http://www.pea.org.br/denunciar.htm

http://www.anda.jor.br/19/12/2011/recentes-casos-de-maus-tratos-contra-animais-levantam-a-polemica-sobre-procedimentos-na-hora-de-efetuar-uma-denuncia


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

CÁSSIA ELLER, saudades de você!

Hoje está fazendo 10 anos da morte da grande e inesquecível cantora do rock brasileiro CÁSSIA ELLER. Eu tive oportunidade de conhece-la e conversar rapidamente com ela durante a sua turnê do Acústico MTV no nordeste, três meses antes da sua inesperada morte, pois estava fazendo uma excursão pela região e coincidia a minha partida de cada capital com a da sua banda, além da estrela. Aliás, me causou excelente impressão, pois além de muita tímida, não tinha comportamento de celebridade alguma. Lamentei muito a sua perda poucos meses depois, mas curto muito e com saudade o seu ultimo DVD do mencionado show ao vivo.

Filha de um sargento pára-quedista do Exército e de uma dona-de-casa, seu nome foi sugerido pela avó, devota de Santa Rita de Cássia.

Nascida no Rio de Janeiro em 10 de dezembro de 1962, aos 6 anos mudou-se com a família para Belo Horizonte. Aos 10, foi para Santarém, no Pará. Aos 12 anos, voltou para o Rio. O interesse pela música começou aos 14 anos, quando ganhou um violão de presente. Tocava principalmente músicas dos Beatles. Aos 18, chegou a Brasília. Ali, cantou em coral, fez testes para musicais, trabalhou em duas óperas como corista, além de se apresentar como cantora de um grupo de forró. Também fez parte, durante dois anos, do primeiro trio elétrico de Brasília, denominado Massa Real, e tocou surdo em um grupo de samba. Trabalhou em vários bares (como o Bom Demais), cantando e tocando. Despontou no mundo artístico em 1981, ao participar de um espetáculo de Oswaldo Montenegro.

Um ano mais tarde, foi para Minas Gerais, onde trabalhou como servente de pedreiro. "Fiz massa e assentei tijolos", contava. Na escola, não chegou a terminar o ensino médio, por causa também dos shows que fazia, não teria tempo para estudar.

Confira vídeo de CÁSSIA ELLER cantando “Todo amor que houver nessa vida”, de Cazuza, no Acústico MTV



Caracterizada pela voz grave e pelo ecletismo musical, interpretou canções de grandes compositores do rock brasileiro, como Cazuza e Renato Russo, além de artistas da MPB como Caetano Veloso e Chico Buarque, passando pelo pop de Nando Reis e o incomum de Arrigo Barnabé e Wally Salomão, até sambas de Riachão e rocks clássicos de Jimi Hendrix, Rita Lee, Beatles, John Lennon e Nirvana.

Teve uma trajetória musical bastante importante, embora curta, com algo em torno de dez álbuns próprios gravados no decorrer de doze anos de carreira. De fato, somente em 1989 sua carreira decolou. Ajudada por um tio seu, gravou uma fita demo com a canção "Por enquanto", de Renato Russo. Este mesmo tio levou a fita à PolyGram, o que resultou na contratação de Cássia pela gravadora. Sua primeira participação em disco foi em 1990, no LP de Wagner Tiso intitulado "Baobab".

Cássia Eller sempre teve uma presença de palco bastante intensa, assumia a preferência por álbuns gravados ao vivo e ela era convidada constantemente para participações especiais e interpretações sob encomenda, singulares, personalizadas.

Confira video de CÁSSIA ELLER cantando “Por enquanto” no Acústico MTV



Outra característica importante é o fato de ela ter assumido uma postura de intérprete declarada, tendo composto apenas três das canções que gravou: "Lullaby" (parceria com Márcio Faraco) em seu primeiro disco, Cássia Eller, de 1990 (LP com 60.000 cópias vendidas, sobretudo em razão do sucesso da faixa "Por enquanto" de Renato Russo); "Eles" (dela com Luiz Pinheiro e Tavinho Fialho) e "O Marginal" (dela com Hermelino Neder, Luiz Pinheiro e Zé Marcos), no segundo disco, O Marginal (1992).

Era homossexual assumida e morava com a parceira Maria Eugênia Vieira Martins, com a qual criava o filho Francisco (chamado carinhosamente de Chicão). Ela teve seu filho com o baixista Tavinho Fialho. Ele faleceu em um acidente automobilístico meses antes do nascimento de Francisco. Maria ficou responsável pela criação do filho de Cássia após a morte de sua companheira, apesar do seu pai que nunca conhecera o neto e que renegava a cantora por sua orientação sexual, ter lutado pela sua guarda, interessado, claro, no espólio da filha.

Confira vídeo de CÁSSIA ELLER cantando “Relicário” com Nando Reis no Acústico MTV



2001, O ULTIMO DA SUA CARREIRA E APOGEU:

2001 foi um ano bastante produtivo para Cássia Eller. Em 13 de janeiro de 2001, apresentou-se no Rock in Rio III, num show em que baião, samba e clássicos da MPB foram cantados em ritmo de rock. Neste dia, o organograma de apresentação foi o seguinte: R.E.M., Foo Fighters, Beck, Barão Vermelho, Fernanda Abreu e Cássia Eller. 190 mil pessoas compareceram a esta apresentação.

Entre maio e dezembro, Cássia Eller fez 95 shows. O que levou a cantora a gravar um DVD, nos moldes de sua preferência - ao vivo: o Acústico MTV, gravado entre 7 e 8 de março, em São Paulo, no qual Cássia contou com o um grupo de alto nível técnico e artístico: Nando Reis (direção musical/autoria, voz e violão em "Relicário" / voz em "De Esquina" de Xis), os músicos da banda Luiz Brasil (direção musical /cifras / violões e bandolim), Walter Villaça (violões e bandolim), Fernando Nunes (baixolão), Paulo Calasans (piano acústico Hammond e órgão Hammond), João Vianna (bateria, surdo, ganzá, ralador e lâmina), Lan Lan (percussão) e Thamyma Brasil (percussão), os músicos convidados Bernardo Bessler (violino), Iura (Cello), Alberto Continentino (contrabaixo acústico), Cristiano Alves (clarinete e clarone), Dirceu Leite (sax, flauta e clarineta), entre muitos outros. Este álbum foi composto por 17 faixas, acrescidas do Making Of, galeria de fotos, discografia e i.clip. O álbum vendeu até hoje mais de 900 mil cópias e se tornou o maior sucesso da carreira de Cássia, sendo que até então, apesar das boas vendagens e da experiência, ela não era considerada uma cantora extremamente popular.

No fim do ano, ela se apresentaria na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio, durante os festejos do réveillon. Faleceu dois dias antes, em 29 de dezembro. Foi substituída por Luciana Mello. Em vários pontos do Rio de Janeiro, fez-se um minuto de silêncio durante a comemoração da passagem do ano em memória de Cássia Eller. Vários artistas também prestaram homenagem à cantora em seus shows, na virada do ano.

Confira vídeo de CÁSSIA ELLER cantando “Luz dos olhos” no Acústico MTV



MORTE:

Cássia Eller faleceu em 29 de dezembro de 2001, aos 39 anos, no auge de sua carreira, em razão de um infarto do miocárdio repentino. Foi levantada a hipótese de overdose de drogas, já que ela era usuária de cocaína. A suspeita foi considerada inicialmente como causa da morte, porém foi descartada pelos laudos periciais do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro após autópsia

Fonte: Wikipédia

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

CIGARRO É UMA DROGA, COMO LARGAR ?

Nas ultimas semanas, com muito sucesso e repercussão, o médico Dr.DRAUZIO VARELLA, apresentou no programa FANTÁSTICO um quadro chamado “BRASIL SEM CIGARROS”, incentivando a população fumante do país a abandonar esse maldito vício.

Dos cerca de 1,25 bilhões de fumantes no mundo, mais de 40 milhões são brasileiros. Ainda são muitos, mas o número vem reduzindo no país. O volume de cigarros queimados por aqui caiu 32% em dez anos.

Deixar de fumar é um desafio que poucos conseguem vencer. Segundo um estudo publicado pela revista New Scientist, 85% dos que param voltam a dar suas baforadas depois de um ano. Alguns recaem antes. Só 3% conseguem, de fato, abandonar o vício. Quem procura ajuda médica, toma remédio e faz terapia aumenta sua chance de sucesso para 20%. O Brasil é um dos recordistas em motivação para largar o cigarro. Um estudo feito pela psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de dependência química da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, mostra que 81% dos fumantes brasileiros querem parar. É um percentual só comparável ao dos suecos, com 85%.

Mas o índice de tentativas frustradas entre os brasileiros é igualmente alto: cada um já tentou parar cinco vezes, em média - sem sucesso. Difícil é, mas vale a pena. O tabaco causa 50 tipos de doença. As mortes anuais em virtude de seu uso chegam a 5 milhões no mundo, 200 mil no Brasil.

Confira vídeo do FANTASTICO: Brasil Sem Cigarros, de Drauzio Varella, Episódio 1



O sucesso e o fracasso na empreitada contra a fumaça pode ser o estado emocional. Ter muita vontade e escolher o momento apropriado são fatores importantes. Pesquisas revelam ainda que, embora pareça chato, um dos pontos mais importantes para fazer alguém parar de fumar é o incentivo dos familiares.

Considerada uma droga poderosa, a nicotina atua no sistema nervoso central e chega ao cérebro em apenas 7 segundos. Após a tragada, a fumaça é inalada para os pulmões e distribui-se para o sistema circulatório. Dessa forma, as cerca de 4.700 substâncias tóxicas espalham-se pelo organismo com uma velocidade quase igual a de substâncias introduzidas por uma injeção intravenosa. Além das mais conhecidas, como nicotina, alcatrão e monóxido de carbono, a fumaça contém também substâncias radioativas, como polônio 210 e cádmio (encontrado nas baterias de carro).



Confira vídeo do FANTASTICO: Brasil Sem Cigarros, de Drauzio Varella, Episódio 2



A dependência começa um ano após as primeiras tragadas, devido a causas físicas e psicológicas.

Na prática, a maioria dos fumantes desconhece seu perfil e, consequentemente, não sabe o que pode ajudar. No livro Fumar É Gostoso… Parar É ainda Melhor, a médica cardiologista Jaqueline Issa descreve os cinco comportamentos mais típicos:

• Quem fuma para reduzir a tensão precisa de um antidepressivo e atividades que diminuam o estresse, como ioga e natação.
• Aquele que faz fumaça sempre em determinadas situações vai ter de passar por um descondicionamento - só mudando de hábito conseguirá abrir mão do cigarro.
• O fumante que enfrenta menos dificuldade para parar é aquele que dá umas tragadas quando se sente bem, como após as refeições, o ato sexual ou acompanhando uma bebida alcoólica. Nesse caso, o paladar e o olfato mais apurados servirão de ajuda.
• Se o que importa é segurar o cigarro, o tratamento pode ser apenas manter as mãos ocupadas com outras coisas.
• Finalmente, há quem fume para driblar o desânimo, porque está sobrecarregado ou para se sentir estimulado a iniciar uma tarefa. É o grupo mais vulnerável à sensação de prazer provocada pela nicotina. Para este, a receita são os remédios que induzem um quadro de bem-estar.

Confira vídeo do FANTASTICO: Brasil Sem Cigarros, de Drauzio Varella, Episódio 3



E se parar de fumar agora:

• após 20 minutos sua pressão sangüínea e a pulsação voltam ao normal
• após 2 horas não tem mais nicotina no seu sangue
• após 8 horas o nível de oxigênio no sangue se normaliza
• após 2 dias seu olfato já percebe melhor os cheiros e seu paladar já degusta a comida melhor
• após 3 semanas a respiração fica mais fácil e a circulação melhora
• após 5 a 10 anos o risco de sofrer infarto será igual ao de quem nunca fumou

A síndrome de abstinência

O organismo volta a funcionar normalmente sem a presença de substâncias tóxicas, mas alguns fumantes podem apresentar sintomas de abstinência como a vontade intensa de fumar, dor de cabeça, tonteira, irritabilidade, alteração do sono, tosse, indisposição gástrica e outros. Esses sintomas podem durar de 1 a 2 semanas.

É normal a fome aumentar. Com a melhora do paladar e a normalização do metabolismo, é comum um ganho de peso de até 2 kg. O ideal é manter uma dieta equilibrada e evitar café e bebidas alcoólicas, que são um convite ao cigarro.


Confira vídeo do FANTASTICO: Brasil Sem Cigarros, de Drauzio Varella, Episódio 4




Métodos para parar de fumar:

1 - Parada Imediata: largar o vício de uma só vez dever ser sempre a primeira opção.
2 - Parada gradual: Pode ser feita de duas maneiras: reduzindo o número de cigarros diariamente ou retardando a hora do primeiro cigarro todos os dias até que consiga ficar sem fumar um dia, dois, três e assim por diante. Esse processo não deve durar mais de duas semanas, pois pode se tornar uma forma de adiar, e não de parar de fumar. Caso não consiga sozinho, o ideal é procurar orientação médica.

Dicas:

A vontade de fumar não dura mais que alguns minutos. Para conter o impulso, o site do Inca (Instituto Nacional de Câncer) traz algumas dicas: chupar gelo, escovar os dentes a toda hora, beber água gelada ou comer uma fruta. Manter as mãos ocupadas com um elástico, pedaço de papel, rabiscar alguma coisa ou manusear objetos pequenos. Não ficar parado, conversar com um amigo ou fazer algo diferente que distraia a atenção.

Fumar cigarros de baixos teores não trazem resultado, pois eles fazem tanto mal quanto os outros.

E cuidado. Alguns ex-fumantes acabam voltando ao vício por estarem se sentindo tão bem que acham que podem fumar apenas um cigarro ou a acender o de um amigo.


Confira vídeo do FANTASTICO: Brasil Sem Cigarros, de Drauzio Varella, Episódio 5




Mil e uma maneiras para deixar o vício do cigarro:

De acupuntura a medicamentos, passando por uma água com nicotina e até mesmo por pirulitos. O fumante tem muitas possibilidades de escolha para abandonar o hábito de vez.

TRATAMENTOS:

Alguns spas, como o Kurotel (www.kurotel.com.br), têm um programa especial para quem quer deixar o cigarro. O paciente tem assistência médica e psicológica.

SPRAY NASAL
Usado da mesma maneira que os descongestionantes nasais, possui nicotina. Foi aprovado pelo Food and Drug Administration, mas não está à venda no Brasil.

ADESIVOS NIQUITIN
Liberam pequenas doses de nicotina para a pessoa se acostumar a diminuir a quantidade de cigarros, contendo a crise de abstinência. O tratamento tem três estágios, que diminuem a carga de nicotina liberada. É indicado numa fase seguinte ao

NICO WATER
Possui 4 miligramas de nicotina por garrafa de meio litro. É o mesmo que fumar dois cigarros. Diminui a vontade de fumar e não tem gosto. Não está à venda no Brasil.

ACUPUNTURA
A aplicação de agulhas em um ponto na orelha libera substâncias que ajudam a atenuar os sintomas da falta de nicotina, diminuindo a síndrome de abstinência.

GOMAS DE MASCAR
Em vez de acender um cigarro, o fumante mastiga um chiclete. O princípio é semelhante ao dos adesivos, mas as gomas são usadas quando a dependência é menor. Elas têm 2 miligramas de nicotina, o equivalente a um cigarro. Não são mais vendidas no Brasil.

HOMEOPATIA
Não oferece pílulas específicas para deixar de fumar, mas defensores dizem que consegue amenizar os efeitos desagradáveis que ocorrem no organismo, evitando recaídas.

FILTROS PHASIS
Têm forma de piteira e a pessoa troca gradualmente. Eles retêm parte da nicotina e do alcatrão. Na última fase do tratamento, a redução de teores chega a 95%.

PIRULITO DE NICOTINA
Gerou discórdia nos Estados Unidos. Prometia efeito mais rápido que dos adesivos ou dos chicletes. Outra vantagem seria que o fumante não perderia o hábito de levar algo à boca. O problema era que as crianças poderiam confundi-los com pirulitos comuns.

ZYBAN
Medicamento sem nicotina usado para tratamento do tabagismo. Contém uma substância que reduz o impulso de querer fumar e também a crise de abstinência.


Confira vídeo do FANTASTICO: Brasil Sem Cigarros, de Drauzio Varella, Episódio 6



O fumante no Brasil passou a ser considerado um cidadão de segunda categoria, tantas são as campanhas, como proibições de fumar em locais públicos e fechados. O pior é que esse viciado não se dá conta de quanto desagradável pode ser, tragando o seu maldito cigarro próximo de pessoas não fumantes e ainda, não conseguem perceber que cheiram mal, além de estarem prejudicando sua saúde e queimando um dinheiro que poderia ser aplicado em outras despesas.

Espero que essa campanha do Dr.Drauzio Varella, bem como, as dicas dessa postagem, sirvam de incentivo a largar esse vício tão danoso para qualquer ser humano.


Dr. Drauzio Varella, nasceu em São Paulo, dia 1 de janeiro de 1943. É um médico oncologista e escritor brasileiro, formado pela Universidade de São Paulo, na qual foi aprovado em 2° lugar, conhecido por popularizar a medicina em seu país, através de programas de rádio e TV. Foi também um dos fundadores da Universidade Paulista e da Rede Objetivo, onde lecionou física e química durante muitos anos.


Fontes: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT916536-1655,00.html

http://drauziovarella.com.br/dependencia-quimica/tabagismo/droga-pesada/


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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A AIDS, 30 ANOS DEPOIS

Às vésperas do Dia Mundial de Luta Contra a Aids (1º de dezembro), o Ministério da Saúde divulgou que o número de novos casos da doença continua aumentando entre os jovens gays, travestis e adolescentes do sexo feminino. Já os casos de transmissão vertical do HIV – quando o vírus passa de mãe para filho durante a gestação, parto ou amamentação – estão diminuindo.

Por ano, 35 mil pessoas são infectadas com a Aids no Brasil

Há 30 anos, o mundo ouvia falar pela primeira vez de uma doença poderosa, que derrubava as defesas do corpo e desafiava os médicos. Os cientistas deram a essa doença o nome de Aids. Logo, descobriram que era causada por um vírus e começaram a desenvolver remédios e buscar uma vacina.

A vacina até hoje não existe. Já os remédios ajudaram a fazer da Aids uma doença controlável, mas ainda grave. Trinta anos depois, como será que uma nova geração que não testemunhou o sofrimento dos primeiros pacientes encara a Aids? Como esses jovens de hoje se protegem da contaminação?

Acompanhe a reportagem do médico Drauzio Varella (FOTO) exibida no Programa Fantástico, no inicio deste ano, durante cinco programas, para entender melhor essa doença que já dizimou tantas pessoas insubstituíveis no Brasil e no mundo, como Freddie Mercury, Cazuza, Renato Russo, Caio Fernando Abreu, entre outros.

Confira vídeo do FANTÁSTICO: AIDS – 30 ANOS DEPOIS, com Drauzio Varella, Parte 1/5



Mulher casa virgem e contrai HIV na primeira relação sexual

A contaminação está cada vez maior entre as pessoas com mais de 50 anos, principalmente as mulheres. O comportamento de risco é caracterizado pela relação sexual sem preservativo.

Trinta anos depois do surgimento da Aids, a cara da doença mudou. Antigamente, existiam os chamados grupos de risco, como os homossexuais masculinos e os usuários de drogas injetáveis.

Confira vídeo do FANTÁSTICO: AIDS – 30 ANOS DEPOIS, com Drauzio Varella, Parte 2/5



Portadores do HIV enfrentam efeitos do tratamento

Trinta anos depois do início da epidemia mundial de Aids, uma coisa a ciência garante: é totalmente possível levar uma vida normal graças aos remédios, cada vez mais modernos.

Mas como mostra o doutor Drauzio Varella, o fato grave é que um em cada três portadores do HIV não sabe que tem o vírus e dez mil brasileiros ainda morrem todos os anos, vítimas da AIDS.

"Comecei a tomar medicação há seis ou sete meses, e eu era soropositivo há dez anos", conta Paulo Rogério Alves, voluntário de ONG. "Tenho tido reações horríveis. Dor imensa no corpo, febre, não consigo comer nada que sinto tonrua, queimação no estômago."

Confira vídeo do FANTÁSTICO: AIDS – 30 ANOS DEPOIS, com Drauzio Varella, Parte 3/5



Dr. Drauzio esclarece dúvidas sobre formas de contágio da Aids

Trinta anos após o surgimento da doença, a falta de informação e o preconceito ainda são os maiores obstáculos à prevenção do HIV

Em São Paulo, funcionava o maior presídio da América Latina, o Carandiru. Mais de sete mil homens. Ali, durante 13 anos, o Dr. Drauzio Varella acompanhou doentes com AIDS: 17% dos detentos eram portadores do HIV.

A cocaína injetada na veia era a droga da moda. Seringas e agulhas passavam de mão em mão. Sem acesso à camisinha, nas visitas íntimas, os presos infectados transmitiam o vírus para suas mulheres. O cenário era desolador, dentro e fora da cadeia.


Confira vídeo do FANTÁSTICO: AIDS – 30 ANOS DEPOIS, com Drauzio Varella, Parte 4/5




Mulheres com HIV podem engravidar quase sem riscos

Portadores da doença planejam o futuro e mostram que é possível ter um filho saudável.

As mulheres que têm o vírus HIV já podem engravidar, praticamente sem riscos de contaminar a criança.

"Eu passava um dia inteiro aqui, uma vez por mês, para tomar remédio na veia", lembra Micaela Cyrino, da Rede Nacional de Jovens HIV / AIDS. "O meu pai morreu quando eu tinha um ou dois anos de idade, então eu não lembro. Mas a minha mãe morreu, também por causa do HIV, quando eu tinha seis anos de idade".

"Gravidez é muito bom. Não achava que era assim. Estou gostando muito de ser mãe. Já me sinto mãe. Eu imagino ele correndo, indo com ele ao trabalhado, viajando. É tudo muito bom, tudo novo. Só alegria", comemora a ativista Marta Fernandes.

Confira vídeo do FANTÁSTICO: AIDS – 30 ANOS DEPOIS, com Drauzio Varella, Parte 5/5



DRAUZIO VARELLA, Nasceu em São Paulo, em 1943. É médico cancerologista, formado em 1967 na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e trabalhou por vinte anos no Hospital do Câncer. Foi voluntário na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) por treze anos. Seu livro Estação Carandiru ganhou os prêmios Jabuti de Não-Ficção e Livro do Ano. Nas ruas do Brás recebeu o Prêmio Novos Horizontes, da Bienal de Bolonha e Revelação Infantil, da Bienal do Rio de Janeiro. É autor também de Macacos (Publifolha, 2000). Atualmente, dirige um projeto prospectivo de plantas medicinais amazônicas.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

COTAS RACIAIS, POR QUÊ?

Um tema que sempre gera debate são as cotas raciais, que já fazem parte dos programas de várias Universidade Brasileiras, mas sempre despertam reações opostas: alguns concordam com ela. Outros não. Essa relação de amor e ódio mexe com muita gente, de estudantes a parlamentares e gera muito debate. Tenho uma opinião formada sobre o assunto: Sou contra as cotas raciais porque a considero uma medida discriminatória. Cotas raciais recuperam a idéia, refutada por toda a ciência moderna, de que a humanidade se divide em “raças”, oficializando aquilo que se quer combater, corrompem as Universidades onde são aplicadas, aniquilando o valor do mérito acadêmico e criando pressões sem fim para discriminar as pessoas por sua “raça” em todos os níveis de ensino, do fundamental à universidade e ainda, sempre enfrentam o problema de como saber quem pertence ou não a um grupo racial Pelo sangue? Pela cor da pele? Como o Brasil é um país miscigenado, odiosos tribunais raciais acabam decidindo se alguém pertence ou não a uma “raça” e ocasionam tremendas injustiças, como mostrou o caso dos gêmeos da UnB.

Não muito diferente do que ocorre em território brasileiro, a discussão sobre cotas sociais e, principalmente raciais, são recorrentes naquele que é conhecido como potência econômica e símbolo de desenvolvimento, os Estados Unidos.

A história das ações afirmativas teve seu início nos EUA, durante a época das lutas pelos direitos civis, em meados da década de 1960, como forma de promover a igualdade social entre os negros e brancos norte-americanos.

A partir de então, o presidente John Kennedy passou a validar ações que tinham como objetivo auxiliar as pessoas pobres e diminuir a desigualdade entre classes.

O que poucas pessoas sabem, é que os sistemas adotados pelo governo dos EUA beneficiaram à classe média negra, ao invés de todas as classes mais baixas da população do país.

No início, o que se pretendia com estas políticas, era diminuir a discriminação social, advinda da diferença de pigmentação da pele e dos combates entre o norte e sul do país. Mas, o que ficou evidente, foi a insuficiência de tais ações para incluir toda a população negra.

A liderança do movimento de direitos civis tinha em mente, propor reformas econômicas, além da execução de leis antidiscriminativas. Mas, o declínio da economia na década de 1970, não permitiu que estas ideias fossem colocadas em prática.

Hoje, os sistemas de cotas raciais que eram adotadas principalmente em escolas nos EUA, foram abolidos. Em junho de 2007, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que a raça de uma criança não seria mais requisito preponderante para determinar onde ela deveria estudar.

Confira vídeo e acompanhe no programa Fórum, da TV Justiça, um debate sobre os sistemas de cotas raciais implementados pelas universidades brasileiras. Discutem o tema a o presidente da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura, Zulu Araújo, e a advogada Roberta Fragoso Kaufman, que participaram da audiência pública sobre políticas de acesso ao ensino superior, promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2010. Confira! (Parte 1/3)



O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão, apenas em 1888. Após a libertação, os negros tornam-se livres. Mas não podiam trabalhar, votar e nem estudar. Ai a pergunta: de que adiantou esta liberdade? Tivesse a sociedade brasileira no final do século XIX inserido o cidadão negro na sociedade hoje não estaríamos discutindo cotas raciais e o Brasil poderia ser um pouco mais justo. Mas na época dos aristocratas ser negro era como ser escravo, embora muita gente hoje pense assim também…

Mais de 100 anos depois ainda é preciso corrigir essa grave falha e é por isso que as cotas raciais entraram na jogada. Como expus, sendo no meu entender uma medida discriminatória, se persistir, não concordo só com cotas para negros em universidades, é preciso dar cotas para brancos pobres que estudaram em escolas públicas e não tem condições financeiras de arcar cursinhos caríssimos, além, é claro, para os indígenas, que tanto sofreram e ainda sofrem na sociedade atual.

As cotas podem até ajudar a diminuir o abismo entre brancos e negros, mas não podem ser para sempre. Senão muita gente se acomoda e tudo vira uma bagunça, como tudo no Brasil.

O Ministério da Educação e órgãos ligados a pasta deveriam fazer um grande estudo, com muitas estatísticas e números para atingir a um parâmetro. Só então incluir políticas de inserção social, por exemplo: Se daqui a alguns anos chegar a uma conclusão que a maioria dos negros foi inserida no ensino superior e no mercado de trabalho, poderia se pensar em abolir as cotas raciais. Não haveria mais sentido manter uma cota racial se boa parte da população negra estiver preparada. Ai seria a hora de focar em uma cota para alunos de baixa renda. Outra coisa que precisa melhorar, se o sistema de cotas persistir, é a questão da definição de raça, porque muita gente diz ser descendente de negro, mesmo com a pele clarinha, clarinha, entrando ai o jeitinho oportunista brasileiro.

No meu conceito, não importa a cor da pele. Raça é uma só: humana. Mas o ideal mesmo seria uma educação de qualidade e de alto nível, do maternal até as fileiras de doutorado. Mas como os políticos só pensam em sugar dinheiro público e fazer da política um palco para interesses próprios, a educação fica relegada a escanteio. Assim como a saúde, saneamento básico, moradia, desigualdade social, etc.

Confira vídeo e acompanhe no programa Fórum, da TV Justiça (Parte 2/3)





CONTROVÉRSIAS
:

Uma das contradições relacionadas às cotas de cunho racial frequentemente citadas diz respeito à institucionalização do racismo: para alguns críticos, a distinção de etnias por lei acabaria por agravar o racismo já existente.

Algumas controvérsias específicas às cotas de cunho racial residem no fato de que seria difícil definir quem teria direito a tais políticas. Alguns defendem o critério de autodeclaração, outros defendem a instauração de uma comissão de avaliadores que, baseados em critérios objetivos e subjetivos, decidiriam quem teria direito às cotas. Esta questão não é ponto pacífico, pois não há consenso sobre o tema. Em geral, as cotas raciais são voltadas para a população autodeclarada negra - podendo abranger os pardos que se declarem negros. Um caso ocorrido em 2007 na Universidade de Brasília, reacendeu a polêmica, pois dois gêmeos univitelinos foram classificados como sendo de etnias diferentes.

Ações de inconstitucionalidade já foram propostas por alguns políticos e entidades da sociedade civil contra o sistema de cotas. Outros também se mobilizaram na defesa da reserva de vagas.

Ocorre também que, ao analisar o sistema de cotas, sua aplicabilidade e seus possíveis bônus ou ônus, deve-se perceber que qualquer ação afirmativa, que busca transpor as desigualdades e a igualdade material (utopicamente), deve ser aplicada por um determinado tempo, ou seja, não é um instituto que deva ser aplicado com um finalidade definitiva. Juntamente a isso, há de se entender que as ações afirmativas, como o sistema de cotas, devem possuir ações conjuntas, atacando o problema desde a sua raiz, pois nenhum problema social foge da deficiência das estruturas de base, como educação, distribuição de renda, falta de oportunidade, e outros.


Confira vídeo e acompanhe no programa Fórum, da TV Justiça (Parte 3/3
)




Fonte:
Wikipédia


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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O BRASIL PODE SER CONSIDERADO UM ESTADO LAICO?

A religião permeia o ambiente humano desde os primórdios da humanidade. Com o advento do Estado a religião além de influenciar a vida das pessoas passou a atuar nas decisões das nações.

Essa influência teve díspares amplitudes dependendo da época, podendo a religião se enlear com o próprio Estado (como no Império Romano), se sobrepor ao poder civil (como ocorreu na Idade Média), mover grande controle (assim como aconteceu na Época Moderna) e influenciar indireta ou até diretamente o poder civil (como incide na atualidade).

Deste modo, pode-se identificar a sua ingerência na atualidade em distintos momentos, na Segunda Guerra Mundial, no combate ao socialismo, na imposição de regimes ditatoriais, na democratização de nações, entre outros.

No Brasil, verifica-se sua intervenção nas Ligas Camponesas, no processo de redemocratização, no Movimento dos Sem Terra e nas atuações políticas dos padres e bispos protestantes eleitos.

A incursão da religião no cenário político se caracteriza um problema á medida que
intervêm na consecução de políticas públicas, que por sua vez reclama LAICIDADE lesando um dos pontos que é a pedra de toque da modernidade, isto é a secularização assentada na separação estado e Igreja. A religião tomada na discussão política provoca problemas generalizados, que aliados as problemáticas sociais, tais como legalização das drogas, a descriminalização do aborto, á união civil de homossexuais, a utilização de células embrionárias em pesquisas científicas, acabam engessadas pela postura intransigente e corporativa aliada a uma moralidade cristã estrita, por parte de deputados e senadores evangélicos (pentecostais), conforme se comprova as intervenções contrárias nas votações em torno dos temas levantados.

O sistema político brasileiro oferece condições para que diferentes grupos façam suas incursões na administração pública, assim numa relação religião-política partidária igrejas como Assembléia de Deus e Igreja Universal do Reino de Deus possuem importante representação no cenário político, uma vez que sua participação não se limita ao poder legislativo, mas percorre outras raias do poder.

Confira vídeo TV Globo: Imparcialidade no Estado Laico




Juntas, Assembléia de Deus e Igreja Universal do Reino de Deus são as igrejas com
maior pleito eleitoral lançando candidaturas próprias, no caso da IURD, essa não mede esforços para eleger seus candidatos, nem tenta, como o fazem outras igrejas pentecostais, escamotear, por meio de subterfúgios vários, tal propósito dos fiéis. Como não se ressente do peso da tradição sectária e apolítica do pentecostalismo, seus líderes não necessitam dar maiores explicações para justificar sua participação no jogo político-partidário. Assim seu interesse pela política, como se pode observar não é desinteressado nem nobre. Busca conciliar interesses bem como: conquista de poder e atendimento dos interesses corporativos da denominação e das causas evangélicas. De modo que, quando tentam justificar seus mandatos, políticos pentecostais de todas às matizes apontam feitos como a defesa de privilégios fiscais para s igrejas, o combate a virtuais penalidades pela desobediência de leis restritivas à poluição sonora, e no plano municipal, às relativas aos códigos de edificações. Além disso, tal como os parlamentares afinados com a moral da Igreja Católica, os políticos pentecostais costumam içar e brandir velhas bandeiras moralistas, causas do agrado de suas bases eleitorais, como a censura nos meios midiáticos e a oposição a legalização do aborto, á pornografia, à união civil de homossexuais, à descriminalização da maconha, entre outros entraves ao mundo moderno e sem preconceito.

O LAICISMO é uma doutrinafilosófica que defende e promove a separação do Estado das igrejas e comunidades religiosas, assim como a neutralidade do Estado em matéria religiosa.

Os valores primaciais do laicismo são a liberdade de consciência, a igualdade entre cidadãos em matéria religiosa, e a origem humana e democraticamente estabelecida das leis do Estado.

Esta corrente surge a partir dos abusos que foram cometidos pela intromissão de correntes religiosas na política das nações e nas Universidades pós-medievais. A afirmação de Max Weber de que "Deus é um tipo ideal criado pelo próprio homem", demonstra a ânsia por deixar de lado a forte influência religiosa percebida na Idade Média, em busca do fortalecimento de um Estado laico. O laicismo teve seu auge no fim do século XIX e no início do século XX.

A palavra laico é um adjetivo que significa uma atitude crítica e separadora da interferência da religião organizada na vida pública das sociedades contemporâneas. Politicamente podemos dividir os países em duas categorias, os laicos e não laicos, em que nos países politicamente laicos a religião não interfere diretamente na política, como é o caso dos países ocidentais em geral. Países não laicos são teocráticos, e a religião tem papel ativo na política e até mesmo constituição, como é o caso do Irã e do Vaticano, entre outros.

Esta visão política está relacionada à LAICIDADE E LAICISMO e ao secularismo.

Confira vídeo TV Globo: Religião e Poderes Públicos




ENSINO LAICO é um tipo de educação elementar que se caracteriza por ser um ensino desvinculado da educação religiosa.Sem religião.

Neste caso a educação é da responsabilidade do Estado, e não mais da Igreja. No Brasil, teve início após a expulsão dos jesuítas no período pombalino, sobre influência do Iluminismo na Europa.

O Brasil é um país que possui uma rica diversidade religiosa. Em função da miscigenação cultural, fruto dos vários processos imigratórios, encontramos em nosso país diversas religiões (cristã, islâmica, afro-brasileira, judaíca, etc). Por possuir um Estado Laico, o Brasil apresenta liberdade de culto religioso e também a separação entre Estado e Igreja.

Principais religiões e crenças no Brasil e seus seguidores:
(Fonte: IBGE - censo Demográfico de 2000.)


Religião ou Crença e Nº de seguidores no Brasil

* Igreja Católica Apostólica Romana - 124.980.132
* Igreja Católica Ortodoxa - 38.060
* Igreja Batista - 3.162.691
* Igreja Luterana - 1.062.145
* Igreja Presbiteriana - 981.064
* Igreja Metodista - 340.963
* Assembléia de Deus - 8.418.140
* Congregação Cristã do Brasil- 2.489.113
* Igreja Universal do Reino de Deus- 2.101.887
* Igreja do Evangelho Quadrangular - 1.318.805
* Igreja Deus é Amor - 774.830
* Outros Penteconstais / Neopentecostais - 2.514.532
* Igreja Adventista do Sétimo Dia - 1.209.842
* Testemunhas de Jeová - 1.104.886
* Mórmons - 199.645
* Espiritismo - 2.262.401
* Umbanda - 397.431
* Budismo - 214.873
* Candomblé - 127.582
* Igreja Messiânica - 109.310
* Judaísmo - 86.825
* Tradições esotéricas - 58.445
* Islamismo - 27.239
* Crenças Indígenas - 17.088
* Orientais (bahaísmo, harekrishna, hinduísmo,
taoísmo, xintoísmo, seicho-no-iê) - 52.507
* Outras religiões - 41.373
* Sem declaração / não determinadas - 741.601
* Sem religião - 12.492.403

Confira vídeo TV Globo: Imparcialidade religiosa e Poderes Públicos



Infelizmente, a presença de políticos evangélicos além de impedir o voto de leis modernas que o País e seu povo necessitam, ainda colaboram com a corrupção endêmica do Brasil. Lembram da máfia dos Sanguessuga? Onde nossos queridos representantes do congresso compravam ambulâncias superfaturadas da PLANAN e ficavam com o restante do dinheiro. Então, dos 54 deputados envolvidos na máfia do sanguesuga 50% deles são evangélicos e mais de 85% são cristãos. Logo vem uma dúvida na minha cabeça, será que desviar dinheiro público é seguir os passos de Cristo?

Vemos muitos pastores/lideres preocupados em levantar homens na politica para "defenderem os interesses da igreja". Hoje vemos também muitos pastores e lideres de vários igrejas usando sua popularidade para entrar na politica. Eles alegam que a motivação para se candidatarem é a defesa da igreja de Deus, porém, Na verdade, a política é o meio pelo qual eles buscam defender os seus próprios interesses e camuflar as suas injustiças morais e sociais.

E o resultado de tudo isso é que são eleitos vereadores e deputados que não tem compromisso com a população e sim com o pastor e a sua igreja.

Os Cristãos devem votar como cidadãos brasileiros, para defender interesses públicos, humanos e nacionais e não interesses espirituais. Interesses espirituais se conquistam com o joelho no chão e a cara no pó. O ato de votar é cívico e social e não espiritual, é pessoal e intransferível, deve buscar mais o interesse coletivo (da nação) do que partidário e/ou individual.

Confira vídeo TV Globo: Educação Religiosa na Escola



Leia abaixo uma entrevista interessante com a Dra. Maria das Dores Campos Machado:

VOTO SOB O CONTROLE DA FÉ (Entrevista concedida à jornalista Carla Rodrigues)


Doutora em Sociologia, a professora Maria das Dores Campos Machado acaba de lançar pela Fundação Getúlio Vargas o livro “Política e religião – a participação dos evangélicos nas eleições”, no qual ela mergulha no universo dos pentecostais para entender seus interesses pela política, suas motivações e seus principais objetivos, entre os quais está intervir diretamente nas leis que regulam a vida privada e dizem respeito ao casamento, à família e à sexualidade. No trabalho, ela mostra como a identidade religiosa tem prevalecido sobre a política, explica quais são os perigos e os benefícios do avanço dos pentecostais na vida pública e afirma que, como parte das igrejas pentecostais um movimento de politização e valorização do voto, são eles que controlam a decisão eleitoral de seus fiéis. No entanto, esse tem sido o principal caminho para que as camadas mais pobres aprendam o valor do voto. “Existe aí uma ampliação da democracia”, afirma ela nessa entrevista.


Os evangélicos na política são um avanço ou um retrocesso?

Os evangélicos estão na política como cidadãos desde sempre, estão participando não é de agora. A grande novidade é o fato de que agora existem atores coletivos e igrejas que participam, não só indicando candidaturas, mas participam do jogo de alianças e das campanhas políticas. É aí que os evangélicos têm peso muito grande no que se refere à capacidade de influenciar principalmente os eleitores de baixo nível de escolaridade. A experiência democrática e liberal e o regime republicano estimulam o uso da identidade partidária. Por isso, o que se espera dos atores políticos é que eles enfatizem a sua identidade partidária e que tenham maior preocupação com a ideologia do programa, com as idéias do programa, e com o conteúdo do programa. Mas o que se percebe nas últimas é que a identidade religiosa ganha peso muito maior que a identidade partidária. Isso é um problema, em primeiro lugar, porque enfraquece os partidos políticos, que são instituições muito importantes para a democracia. Uma preocupação que se tem com o uso da identidade religiosa é que se esvazie a instituição dos partidos, que já é muito incipiente na cultura política brasileira. Isso não é só uma característica dos evangélicos. A mobilidade partidária, o trânsito inter-partidos é muito grande no Brasil. Também é importante considerar a heterogeneidade dos evangélicos. O número de atores políticos evangélicos tem crescido muito mais entre pentecostais e neopentecostais.

Quais são as principais características políticas desses pentecostais e neopentecostais?

Em termos políticos, eles não têm um histórico de participação em movimentos sociais. Outra característica forte é que eles vêm de setores mais pobres da população e estão em um movimento de ascensão social. Normalmente são filhos de famílias pobres que conseguem ascensão social para uma classe média e isso passa pelo engajamento religioso. Se por um lado as comunidades eclesiais de base da igreja católica nos anos 1970 e nos anos 1980 foram espaços privilegiados de formação de liderança política da camada popular, hoje temos uma formação de liderança política feita pelas comunidades pentecostais e neopentecostais. O que se pode discutir é o caráter dessa politização e a natureza, vamos dizer assim, ideológica dessa politização. O tipo de proposta das CEBs e o tipo de proposta e o tipo de visão política ou de projeto político que essas igrejas têm é bastante diferente.


Confira vídeo TV Globo: Justiça controlada pela religião




No entanto, a participação da Igreja Católica na política não se dá apenas através das comunidades de base. Nos jornais dessa semana, o arcebispo do Rio de Janeiro foi notificado pelo TRE numa questão bastante polêmica, porque a justiça eleitoral solicita que a arquidiocese não participe da campanha eleitoral ?

Claro, há uma enorme diferença, porque o Movimento de Renovação Carismática Católica ou o Movimento Pró-Vida são movimentos extremamente conservadores e com representantes no Parlamento. A igreja católica, ela sempre esteve na política.

Exatamente porque a Igreja Católica sempre esteve na política é que a minha primeira pergunta sobre os evangélicos na política como sinal de retrocesso ou avanço. Há quem defenda que é um avanço na medida em que pulveriza, em que a política deixa de ser monopólio da religião católica. A senhora concorda?

Veja bem, é um avanço no sentido de você está abrindo o cenário político para outros atores. E há um outro elemento importante. Hoje em dia, as igrejas pentecostais constituem espaços de discussão da importância do voto. Isso tem um significado importante porque socializa politicamente setores segregados da população e que estão aprendendo o valor do voto. Agora, podemos também questionar o fato de que como essa população só discute o voto dentro desse espaço...

O que permite que o voto fique diretamente vinculado à escolha política do pastor ?

O voto fica circunscrito àquelas informações recebidas. Por um lado, a participação dos evangélicos, significa a entrada de novos atores na política brasileira. Então existe aí uma ampliação da democracia. Agora, há também uma ambivalência, que é o fato de que esses atores estarem entrando na política com um nível de informação muito baixo. E como nem o Estado, nem os movimentos sociais, nem o sindicato, nem o movimento feminista, nem os movimentos de associação de bairros têm acesso a esse público ou estão agindo junto a esses segmentos populares, esse debate fica circunscrito às informações transmitidas pelos pastores. Se por um lado a entrada dos evangélicos reforça a democracia, por outro também traz o risco e o vício do voto clientelista, que não é só um voto pentecostal e neopentecostal, mas que também está relacionado com a pobreza, com a falta de informação e com o nível de instrução baixo dessas pessoas.

Os pentecostais são os que mais conseguem transferir influência religiosa pra política? Por que?

Mesmo entre os pentecostais existem igrejas com capacidades diferenciadas de influenciar os seus eleitores. Entre os pentecostais de uma forma geral, o que se observa, principalmente aqui no Rio de Janeiro, é que a Igreja Universal do Reino de Deus tem uma grande capacidade de influenciar seus eleitores. Isso decorre do fato de que a Igreja Universal é centralizada, articula e coordena todas as suas atividades e tem um discurso único que é aceito do Oiapoque ao Chuí. Diferentemente, por exemplo, da Assembléia de Deus, que tem cisões internas e um governo mais localizado, o governo da comunidade é em cada igreja e segue a vontade do pastor local. Na Universal não tem isso porque o pastor local repete a orientação que sai de cima. O controle do que os diferentes pastores nos diferentes templos estão fazendo é muito maior. Além disso, eles têm o controle da mídia eletrônica, da mídia impressa. A Universal é uma igreja de uma ousadia muito grande, ela está sempre na ponta da lança dos movimentos do mundo pentecostal, ela inova e tem grande capacidade de absorver tendências dos movimentos sociais. Ainda no início dos anos 1990 eles já estavam lançando candidaturas femininas. Nas eleições de 2000 e de 2002, eles tiveram a preocupação de lançar candidatos para minoria negra e para minoria feminina. Quando falo de ousadia é no sentido de afirmar que a igreja tem uma capacidade de absorver não só a lógica partidária, mas também as bandeiras e os temas dos movimentos sociais.

Ao mesmo tempo, há uma crítica sobre a Igreja Universal só conseguir voto entre seus próprios fiéis porque eles não têm um trânsito inter-religioso. É verdade?

Depende do nível dos candidatos. Em 2000, por exemplo, os números diziam que a Igreja Universal tinha 300 mil fiéis no Rio de Janeiro e, no entanto, Marcelo Crivela teve 1 milhão e 700 votos. Ou seja, teve três vezes mais votos do que os fiéis da Universal. Se for verdade esse percentual de intenção de voto nele nas atuais pesquisas, ele está acima da Universal. Isso depende muito do candidato, depende muito de quem é o representante da Universal. Para determinados cargos, a vinculação religiosa ou a identidade religiosa funciona muito mais aumentando a rejeição do que ampliando os votos e a Universal já sabe disso. Depois das eleições de 2002 eles começaram a rever suas estratégias e decidiram que o futuro político dos representantes da comunidade religiosa deveria ser através do engajamento em ações sociais. Ou seja, a aposta é maior no assistencialismo do que na identidade religiosa. Esse ano, por exemplo, os membros da Universal têm evitado apresentar o cargo eclesiástico nos programas eleitorais gratuitos. Esse é um capital político e simbólico fortíssimo que os pastores usam para mostrar não só o pertencimento com a comunidade religiosa, mas autoridade e poder.

Os universais são os que mais roubam fiéis da Igreja Católica? A igreja católica vem perdendo fiéis nos últimos 20 anos, todas as estatísticas todas mostram isso, sobretudo no Rio de Janeiro.

A competição principal deles é com a católica, mas a Universal também competem com a afro-brasileira, tiram fiéis das afro-brasileiras. E existe uma competição também inter-denominacional, entre os próprios evangélicos. Por exemplo, o Silas Malafaia, uma das lideranças mais importantes da Assembléia de Deus no Rio de Janeiro, está apoiando o Sérgio Cabral. Existe uma competição religiosa que também se apresenta no plano da política. Muitas vezes o senso comum tende a pensar os evangélicos como se fossem um coletivo homogêneo, um bloco único, e não é.

Confira vídeo da TV Globo: Evangélicos



No livro, a senhora situa o início da entrada dos pentecostais na política em 1988. Já são quase 20 anos, na Assembléia Nacional Constituinte. O que explica o interesse deles pelo Congresso?

Em primeiro lugar, eles têm uma preocupação muito grande com a questão dos costumes e da moral. Por isso, têm interesse em participar do debate público no que se refere às leis relacionadas não só à família, mas também relacionadas à questão do casamento e à sexualidade. Existe um interesse em participar da elaboração das leis, da votação das leis e da normatização da vida da população brasileira. Por outro lado, não se pode esquecer que o Congresso Nacional é o espaço no qual são discutidas e concedidas as licenças do uso dos meios de comunicação. A televisão e o rádio são espaços importantes para qualquer grupo que queira ampliar sua capacidade de influência na esfera pública. E, por fim, eles querem participar das parcerias com as agências governamentais, principalmente no campo da ação social.

Essas parcerias reforçam o trabalho assistencialista?

Desde a posse de Lula, existe uma ação dos bastidores para dar aos universais lugares nos conselhos, como o de segurança alimentar, por exemplo, para dar a eles espaços privilegiados nos quais possam reivindicar tratamento mais eqüitativo frente à igreja católica, que historicamente sempre participou da ação social no Brasil. Não só ela como dos espíritas. Então esse é também um deslocamento, uma certa novidade no campo religioso brasileiro. A preocupação com trabalho social começou a ganhar mais visibilidade a partir dos anos 1990. Nessa época a Universal criou a Ação Beneficente Cristã, a ABC, e a Assembléia de Deus criou uma área de assistência social para agir nacionalmente.

No livro, a senhora afirma que as mulheres são maioria entre os fiéis da Universal do Reino de Deus e que há um aumento do interesse delas pela política. É uma campanha específica para conquista do eleitorado feminino?

Na medida em que elas são maioria no templo, e que está sendo feito um trabalho de politização no templo, quem está mais sujeito a isso são as mulheres. É um discurso feito no templo e como são elas que estão lá, constituindo esse público ouvinte, acabam sendo elas também que estão mais sensibilizadas para a importância do voto. Os universais têm a clara consciência da face feminina das igrejas. No entanto, não acredito que eles ignorem o fato de que estão politizando mulheres. Isso tem a ver inclusive com o lançamento de candidaturas femininas, com as quais eles querem justamente atingir as mulheres que estão dentro dos seus templos.

A senhora é autora de um estudo específico sobre os costumes e os valores dos Universais serem mais arrojados ou menos conservadores, principalmente em relação às mulheres, do que os da igreja católica. Isso ainda é assim?

Até pelo fato de estar competindo com a Igreja Católica, a Igreja Universal do Reino de Deus tem uma posição de atacar, por exemplo, a política natalista da Igreja Católica. Eles defendem a contracepção, estimulam a vasectomia, a camisinha. Os valores defendidos pela hierarquia religiosa estão muito mais próximos do desejo da mulher das camadas populares. Quando a Universal defende a vasectomia, por exemplo, está tendo uma posição mais interessante e de certa forma diminuindo o ônus em cima do corpo da mulher. É nesse sentido que a Universal tem valores mais interessantes para os segmentos femininos de baixa renda do que a Igreja Católica. No ano passado, o bispo Marcelo Crivela apresentou no Senado uma proposta de lei para regulamentar o aborto em caso de anencefalia. Ele está jogando na frente da Igreja Católica. Da mesma forma, a Universal em bloco votou com o Planalto a favor do uso de células-tronco em pesquisas. Isso foi uma orientação do Conselho de Bispos. É uma postura mais afinada com os valores atuais, contemporâneos, do que a da Igreja Católica.

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